Na poltrona da sala: Flutuando com Johnny Hooker

Um hino dessesbicho!

O que vão dizer de nós?
Seus pais, Deus e coisas tais
Quando ouvirem rumores do nosso amor
Baby, eu já cansei de me esconder
Entre olhares, sussurros com você
Somos dois homens e nada mais

Eles não vão vencer
Baby, nada há de ser em vão
Antes dessa noite acabar
Dance comigo a nossa canção!

E flutua, flutua
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar
E flutua, flutua
Ninguém vai poder querer nos dizer como amar

Entre conversas soltas pelo chão
Teu corpo teso, duro, são
E teu cheiro que ainda ficou na minha mão

Um novo tempo há de vencer
Pra que a gente possa florescer
E, baby, amar, amar sem temer

Flutua é o 1º single do novo álbum de Johnny Hooker, ‘Coração’, com participação especial de Liniker. Essa apresentação no Rock in Rio 2017 só mostra um pouquinho do que são e o que representam esses artistas. Depois dessa música, não consegui parar de ouvir Johnny Hooker no Spotify e ainda bem que no dia 21 agora vou num festival que ele vai cantar! Vamos também? O Festival Pilantragi vai rolar no Estádio Ícaro de Castro (Ibirapuera) e o line-up tá demais. Dá uma olhada nesse evento!

JohnnyHooker_poltrona22

Mas tirando o que tá bom, 2017 tem sido um ano estranho. Estranho por falta de adjetivo melhor. Como já nos disse a sabia Amélie Poulain em ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’ (se você não viu esse filme ainda, veja, tem na Netflix!), “são tempos difíceis para os sonhadores”.

Quando tudo parecia estar caminhando para um pequeno avanço da sociedade, com a galera indo para as ruas reivindicar o que não tava bom, ao mesmo tempo que um monte de gente bacana ia surgindo e ganhando visibilidade, alguns (poucos) direitos estavam sendo conquistados, enfim, parecia que a coisa estava andando em direção a um lugar legal, vem 2017 e causa uma reviravolta.

Muita energia está sendo gasta no lugar errado. O povo parece que perdeu o foco. Deixou de saber pra onde olhar. Perdeu o senso do que é bom, do que é correto, do que faz bem. Empatia zero. Só reclamação vazia em cima de reclamação vazia. Um poço sem fundo de ideias misóginas, homofóbicas, transfóbicas, elitizadas, burguesas.

Quando a conta não bate, alguma coisa só pode estar errada. Amor e gentileza deveriam ser o padrão. Assim como 2+2 são 4. Mas tá acontecendo o inverso. Gente vindo por todos os lados gritar na nossa cara que a coisa não é bem assim. Nem tudo é tão permitido assim. E algumas coisas só podem ser vistas até a página dois.

Mas, a meu ver, a receita é simples. Se a programação da TV está ruim, desliga. Vá ler um livro, ouvir uma música boa, ver um filme na internet. Se a exposição de arte te incomoda, não vá. Tampouco leve seus filhos. Se você gosta de alguém do sexo oposto, não se ofenda com as pessoas que são diferentes de você. O que não dá é olhar para as coisas sob a sua ótica e querer estabelecer um padrão baseado nas suas convenções sociais. Não me venha querendo estabelecer cura pra uma coisa que nem é doença.

O que a gente não aguenta mais é ser violentado o tempo todo por aí. Na rua, em qualquer lugar do Brasil que você more e não só aqui em São Paulo, ficar morrendo de medo de ser assaltado. No ônibus, com um tarado ejaculando no seu ombro e sendo solto depois de algumas horas detido pra ir lá e fazer igual novamente. No supermercado, no posto de gasolina, na padaria, com os preços das coisas subindo descontroladamente enquanto alguns roubam e nada nunca acontece. Isso é grave. Isso deve ser combatido. O amor – e a arte – não.

 

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