Vem, Shinkansen!

E não é que já fez uma semana que voltei da trip mais incrível que já fiz? Sai do Japão no dia 20/02, uma segunda-feira, fiz uma volta no tempo de – 8 horas até Amsterdam (posts sobre essa cidade virão) e depois de 3 noites lá, cá estava eu cozinhando no Brasil.

Duas coisas já me enchem fortemente de saudades do Japão. As privadas tecnológicas e os shinkansens, que são os trens-bala japoneses. Começaremos pelo segundo pois acredito que o assunto agregue mais valor ao blog. Mas que fique bem claro que as privadas tecnológicas terão seu espaço aqui um dia.

Uma vez decidido ir até o Japão e encarar todas as horas e quilômetros que nos separam de lá, surge o questionamento sobre quais cidades visitar. Como era a primeira vez no país, tinha que aproveitar e conhecer outros lugares. Tinha que andar de shinkansen. Tinha que sair da cosmopolita Tóquio e descobrir novos horizontes e novas paisagens. Foi o que eu fiz. Na próxima, que nao pode demorar a acontecer  peloamordedeus, ficarei somente em Tóquio. Talvez eu more em Tóquio. Talvez eu fique sonhando em morar em Tóquio eternamente. Talvez.

Pois bem, nessa hora você abre um mapa 🗺, da um zoom naquela ilhazinha 🗾 e vai estudando as possibilidades de acordo com as suas vontades. Tudo vai depender do tempo que você tem, da sua disponibilidade em ficar trocando de hotel e encarando check-ins e check-outs, da grana que você quer desembolsar… Isso porque  as estações de trem são grandes mas limpas e bastante organizadas. Os trens são confortáveis e inacreditavelmente pontuais. Mas sao 894km de trilhos de Hiroshima pra Tóquio e isso dura umas 5 horas ou mais. É tempo! E tem que ter disposição!

Nós, estrangeiros, temos a possibilidade de comprar um passe de uso ilimitado para 7, 14 ou 21 dias. Esse passe, o JR Pass, tem que ser adquirido ainda aqui no Brasil e validado no primeiro uso em alguns escritórios da JR lá. Dá pra comprar direto pelo site da Japan Rail Pass até uns dias antes da viagem. A entrega aqui pra gente custa 20 dólares e demora uns 3-4 dias úteis. Acabei não comprando no site pois moro em São Paulo e trabalho na Liberdade e lá tem uma empresa chamada Tunibra que na ocasião tinha a menor cotação pro JR Pass. Consegui resolver tudo por e-mail, fiz transferência bancária e fui lá um dia a tarde pra buscar o voucher do passe. A empresa é grande mas chegando lá não esperei nada. Tinha um envelope com meu nome, o voucher dentro com um livreto em português dando toda orientação pra troca, os locais e horários dos escritórios, imagens dos símbolos da JR pra você se localizar mais facilmente, tava tudo ali! Eficiência bem japonesa!

Escolhi o voucher de 7 dias. Iria viajar pra fora de Tóquio por 5 dias. Então ativei o passe no aeroporto mesmo, na chegada, e não precisei comprar passagem de trem avulsa até a estação central que era bem perto do meu hotel. Como eu preferi terminar a viagem em Tóquio e ter mais tempo lá no final pra poder encher a mala de muamba, esse esquema compensou pra mim. Dependendo do roteiro que você montar talvez fique melhor ativar na primeira saída efetiva de Tóquio. Certo?!

Outro dado importante pra roteirizar sua viagem de trem pelo Japão: o JR Pass exclui dois tipos de shinkansen, ‘Nozomi’ e ‘Mizuho’. Depois de um curto tempo você se familiariza com esses nomes e fica fácil de se localizar nas estações porque sempre aparece o nome do shinkansen nos telões de horários. Então o que acontece?! A gente vai direto no Google Maps e coloca de onde e pra onde a gente quer ir. Daí o bonitão só mostra os horários dos trens que a gente não tem direito de pegar. Porque em geral eles são mais rápidos um pouquinho e você consegue trechos diretos com eles. E nessas horas você não tem planejamento nenhum! Desespero?! Não! Tem um site pra nos salvar! O HyperDia te dá horários e rotas dentro do Japão inteiro. Funciona super bem. Em inglês. E nele você consegue tirar da sua busca os trens-bala que você não pode pegar. Melhor parte né?!

Dica pra facilitar a sua vida: quando for reservar sua poltrona no shinkansen, leve anotado o nome e o número do trem num papel e mostre pro atendente da JR. Por exemplo, SHINKANSEN SAKURA 560 das 17:17 no dia 15/02/2017 entre HIROSHIMA e SHIN-OSAKA. E depois SHINKANSEN HIKARI 534 das 19:16 entre SHIN-OSAKA e TOKYO. Ou melhor, dá um print na tela de resultado do HyperDia (como mostra essa foto acima) e mostra lá na hora e pede pra reservar o lugar. Todo trem tem vagões pra quem não reservou assento. Não há necessidade de fazer isso sempre. Mas é sempre bom garantir um lugar nos trechos mais longos. Ou em períodos em que o Japão estiver infestado de turistas. Eu só reservei 3 trechos. Do aeroporto pra Tokyo Station, de Tóquio pra Kyoto e o retorno de Hiroshima pra Tóquio. Foi bem tranquilo. Não peguei nenhum trem muito lotado.

O JR Pass é a última coisa que você vai comprar da viagem pois é necessário o visto para emiti-lo. Escolher as cidades e montar um roteiro é imprescindível para sua organização e, também, necessário na hora de tirar o visto. O Consulado exige um cronograma com as datas e os locais onde você vai ficar, incluindo endereço e telefone de contato, tanto de hotel como de parente ou conhecido. Então esse planejamento faz parte do início do processo. E faz parte da aventura conseguir achar sua plataforma, seu vagão, sua poltrona e rodar o Japão de shinkansen!

Ah, só pra constar: os trens possuem as duas pontas iguais. Eles tem aquele bico todo anatômico aerodinâmico dos dois lados porque eles andam nas duas direções. Daí quando chega numa estação em que ele vai voltar o que acontece? Ninguém vai sentado de costas não! Os funcionários entram no trem e viram os “blocos de poltronas” de uma só vez, numa agilidade que impressiona. Em poucos minutos todos os assentos estão virados pra direção que o shinkansen vai seguir! É muita eficiência! É muita esperteza! Tem como não amar?

6 comentários sobre “Vem, Shinkansen!

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  2. Os funcionários limpam (não que alguém suje) e muda as cadeiras em exatamente 7 minutos, impressionante né? Esta parte de montar roteiro eu não fiz nada disso, porque ele já estava montado, até a passagem. Mas se um dia voltar ( e quero), vou prestar atenção em cada detalhe.

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    • É impressionante a eficiência, Lais. Em uma das vezes, do aeroporto pra Tokyo Station, eles entraram, passaram aspirador e logo liberaram o trem. Muito bom!
      Eu fui praticamente sem roteiro nenhum. Só sabia as cidades e os dias em que estaria em cada uma. Daí ia moldando conforme estava lá. Alguns dias deram super certo, outros nem tanto. Mas no geral foi perfeito!

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